Casamento é como Woody Allen. Vale assistir, mesmo que seja pra dizer que não gostou. Não falta gente para me perguntar com espanto: TU É CASADAAAAAAAA??? Uns até mexem a cabeça lamentando: MAS TÃO NOVINHA!!!!!!
Casei porque quis. Na verdade, a decisão foi minha. Depois de cinco anos de namoro, não tinha mais para onde ir senão subir o altar e dizer sim. Caso contrário, era cada um para o seu lado. E aí estava o problema: QUE LADO?

Não era daquelas que sonhava em usar o vestido branco, entrar com a marcha nupcial e fazer festa depois. Pelo contrário. Mas cheguei aos 22 anos com apartamento comprado, bem empregada e com uma boa companhia. Pensei: por que não?
Todos casam por amor. Nem que seja por amor a si próprio. E só pode ser assim, porque só por respeito na riqueza e na pobreza ninguém mais entra na igreja. Rapazes são obrigados a jurar levar o lixo para fora, narrar os acontecimentos do dia, aprender massagem reflexológica e considerar as sete zonas erógenas de sua mulher. Por sua vez, as noivas prometem não encostar o pneu no cordão, não pendurar calcinhas na torneira, oferecer uma cerveja por mês, ser autodidata em linha do impedimento e não ver em qualquer de suas semelhantes uma potencial filial do marido.
Nunca fui prisioneira, mas também porque não deixei isso acontecer. Não falta oportunidade para o meu marido me dizer: POR MIM, TU USAVA BURCA!!! E ele não fala brincando. A união matrimonial, na minha opinião, serve para declarar a todos que ambos curtem estar na companhia um do outro, compartilham pasta de dente, conversas, aromas, atrasos de menstruação, livros, mau humores, lençóis, problemas, Chico Buarque e despertador.
Mas nem sempre tudo são flores. Dá vontade de arrumar as malas e sair correndo…sozinha. O que me faz ficar? O tempo que já passou, além do medo de magoar o outro. Desde os meus 13 anos eu não sei o que é ficar “solteira”. Na verdade, eu nunca soube, pois, até essa idade eu morava com meu pais. E sozinha é algo que eu odeio “estar”. Sempre amei dormir junto com alguém. Desde que me conheço por gente, fugia da minha cama para dormir com meus pais.
Outra: não sei dar beijo na boca e depois não olhar na cara da pessoa. Se beijo, é porque quero mais. Me assusta a possibilidade de sair livre por aí, entregar o coração para alguém e, simplesmente, o reencontrá-lo no lixo. Não peço fidelidade, mas lealdade. Uma coisa, pelo menos para essa calcinha aqui, é diferente da outra. Fidelidade está no corpo. Lealdade está na alma.
Esses dias estava vendo a novela das oito (sim, isso de vez em quando acontece) e estava no capítulo em que a personagem da linda da Maitê Proença se entregou a um romance com um traste. Ela é casada, então se viu prejudicada duas vezes: enganada pelo amante e descoberta pelo marido, a quem ela pôs a culpa de tudo. Na hora, concordei com ela. “Isso aí, a culpa é desse desnaturado que não te deu atenção”. Na mesma hora, meu marido se virou pra mim e disse: “Por acaso, o amante dela deu?”. Me quebrou as pernas!!!
Sigo casada, mas não sei se é para todo o sempre. “Sempre” é muito tempo, não posso garantir nem que estarei viva amanhã, imagina querer ficar ao lado de alguém. Sim, porque “amar” alguém e “ficar” ao lado de uma pessoa, também são coisas diferentes. Quando se ama, se dá atenção, se quer ficar coladinho, compartilhar tudo que é bom, respeitar os defeitos e não querer matar a pessoa por um simples prato quebrado ou uma roupa manchada na máquina de lavar. E todos sabemos que, na maioria dos casos, não é o que se vê por aí. Nem sempre o “outro” continua sendo simpático, agradável, cheiroso, depilado, dentro do peso desejado e sóbrio para entender que um “sim” não implica entregar a própria vida com uma maçã na boca. Há casos em que eu digo: PEÇO DIVÓRCIO POR JUSTA CAUSA. Que casos? Fazer a pessoa passar anos da vida esperando algo que nunca vai receber. Aí, é o fim!

3 comentários
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agosto 29, 2009 às 3:06 pm
Tiago Bitencourt
Mi
Hoje em dia, pra casar, tem que ter CULHÃO!!!
Não é fácil dividir, compartilhar, compreender…
Brigar, desbrigar, arrumar o barco e seguir em frente. É muito mais fácil se esconder na VIDA DE SOLTEIRO e não ter nenhum compromisso…
E talvez nenhum AMOR PLENO!
Beijos
Tiago
agosto 31, 2009 às 9:14 pm
Alexandre Perin
Don’t worry… Be happy…
setembro 2, 2009 às 1:24 am
Elisa Stocker
Pois é Miche… casamento é tudo isso ai e mais um pouco! To assustada com a possibilidade, justo agora que encontrei “aquela pessoa” que chamamos de “pessoa certa”… será que é isso mesmo? Ou vamos passar a vida inteira tentando encontrar respostas que não existem??
Belo texto, como sempre!!
Beijos