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Parece piada infame, mas não é. Há certos processos dentro de um jornal que precisam ser seguidos à risca, caso contrário, uma fatalidade pode acontecer. Ouvi a seguinte frase ontem, durante um treinamento:

“Todos os nossos processos para evitar erros foram feitos em cima de CORPOS. Ou seja, elaborados a partir do erro de alguém que ‘não está mais entre nós’”. Em outras palavras, alguns coitados já ouviram a famosa frase do Roberto Justus: VOCÊ ESTÁ DEMITIDO, por alguma cagada bizarra.

Medo? Sim! Na mesma hora, uma cena nada agradável me passou pela cabeça. Faz tempo, mas parece que foi ontem.

Eu ainda era estudante de jornalismo e trabalhava fazendo notas, serviços e obituário no jornal. Quando cheguei na redação para trabalhar, cedo como sempre, a coordenadora de produção arregala os olhos e me diz:

— Tu publicou uma foto de um cara vivo no obituário.

Na hora, pensei: Meu Deus. Meu Santo Expedito. Minha Nossa Senhora. Meu Menino Jesus de Praga. Meu Santo Antônio. Meu São Francisco. Minha Santa Clara. Meu São Pedro. Meu São Paulo. Meu Anjo da Guarda. Meu Pai Oxalá. Minha Mãe Iemanjá, opa essa religião não é a minha, mas nessa hora valeu tudo…

…quando eu não lembrava mais nenhum nome de santo,  tentei entender o que tinha acontecido. Mas aí minha mente foi acertada por outro golpe: E A FAMÍLIA DO CARA VIVO?

Aí começou tudo de novo: Meu Deus. Meu Santo Expedito. Minha Nossa Senhora. Meu Menino Jesus de Praga. Meu Santo Antônio. Meu São Francisco. Minha Santa Clara. Meu São Pedro. Meu São Paulo. Meu Anjo da Guarda…

A mulher do cara “vivo” ligou para o jornal. Indignada. Como “nós tínhamos matado o marido dela”? Ele estava vivinho da Silva.  Que a mãe dele só não teve “um troço” quando viu a foto dele estampada na parte mais mórbida do jornal porque ele já tinha participado de uma matéria dias antes. E aí é que entendemos a confusão.

Estávamos com uma manutenção no sistema de fotos, que só excluía algum tempo depois as fotos colocadas em uma certa pasta. Só que a dele, o “cara vivo”, ainda estava nesse sistema, pois ele foi case de uma reportagem sobre o aniversário do jornal. Quando fui salvar a foto do verdadeiro obituário, ele não salvou por cima, apenas deixou a foto que já estava lá. Trocando assim o “morto” pelo “vivo”.

Para a salvação do meu emprego, e currículo profissional, tudo foi explicado. Apenas tive que aguentar as piadinhas durante o dia, pois qualquer um que chegava na redação gritava: O QUÊÊÊÊ???? PUBLICARAM A FOTO DE UM CARA VIVO NO OBITUÁRIO??? QUÁQUÁQUÁ!!!

O que mais me chamou a atenção, foi que no dia em que redigi aquele obituário, eu liguei para a família que mandou a foto e o texto para confirmar as características físicas do verdadeiro “mortinho”. Que me confirmou tudo!

Detalhe: o “cara morto” tinha aproximadamente 50 anos, cabelo castanho grisalho, sério e vestia terno. A foto do “cara vivo”, a qual descrevi por telefone, era de um homem aparentemente com trinta e poucos anos (fato que eu insisti com os familiares), careca, olhos claros e vestia uma camisa polo.

Depois dessa confusão, liguei para a família do “cara morto” para avisar do equívoco e que publicaríamos a foto correta no dia seguinte. E questionei o porquê deles não me avisarem das diferenças grotescas que fiz durante a descrição por telefone. Resposta da irmã do senhor:

— E que depois de morto todo mundo fica mais bonito!

O pobre do irmão dela provavelmente se revirou no túmulo.

Que maravilha quando o relógio marca 18h da sexta-feira, o final de semana ensolarado quando todos disseram que choveria, o dinheiro que estava naquele casaco velho, a nota mais alta naquela matéria chata na faculdade, o pão de queijo quentinho em uma tarde fria, reencontrar alguém inesperadamente, o lugar vago no ônibus lotado, o cheiro do café em uma manhã de domingo, ouvir um ‘eu te amo’ da boca de alguém que se quer tanto, acordar durante a madrugada e perceber que tem mais uma hora pra dormir, o banho de chuva em uma tarde de verão, a manteiga derretendo em um pão quentinho, assistir ‘Sessão da Tarde’ debaixo das cobertas e relembrar a infância, sintonizar uma estação de rádio e ouvir aquela música antiga que te lembra tantas coisas. Entre as delícias do dia-a-dia está o de cruzar o olhar no meio da multidão, a adrenalina durante o jogo do Grêmio, vencendo fora de casa, ou rever aquele velho amigo e dar risada do passado. É, a felicidade está por toda parte. Só é preciso saber enxergar.

Em um de seus livros, Augusto Cury disse que “Ser feliz não é ter uma vida perfeita. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, perdas e frustrações. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. Ser feliz é uma conquista e não obra do acaso.”

A verdadeira fórmula da felicidade é fruto de nossas próprias alquimias. Para ser feliz, basta querer. Somos livres.

Aprendi num retiro que, de acordo com a filosofia dos grandes mestres, precisamos no conhecer. O primeiro passo é esse: Conhece-te a ti mesmo, já dizia Sócrates. Mas o encontro foi além: Conhece-te a tia mesmo e vence-te a ti mesmo. Ou seja, sei dos meus medos, receios, qualidades. Agora, preciso usar isso a MEU FAVOR!

Atreva-se, se jogue. Acredite no inacreditável, viva um conto de fadas (mas saiba voltar pra realidade), uma paixão fulminante. Tenha fé em algo ou alguém, se dedique, torça, vibre. Tenha um coração em pedacinhos e depois o conserte, ou deixe que alguém o conserte pra você.

A vida é curta demais para se pensar em uma felicidade posterior. Viva e seja feliz hoje, não perca tempo planejando. Seja diferente e leve essa diferença com você.

“Mas por que você escreve? Cá entre nós, meu caro, eu não descobri ainda outra maneira de me livrar de meus pensamentos”

Friedrich Nietzsche

O título acima não faz remissão ao grande poema de Alvarez de Azevedo, que ironicamente morreu tão cedo. Mas sim a uma filosofia que adotei já há algum tempo.

Na verdade, ela lembra mais aquela música do Legião: “É preciso amaaaaaaaaaaaaar as pessoas como se não houveeeeeeesse amanhããããã”.
Sempre tento fazer com as pessoas, principalmente daquelas que eu gosto, tudo o que está ao meu alcance como se aquele instante fosse o último da nossa convivência. Isso explica porque eu abraço forte todo mundo que vejo, hábito meu que já virou uma necessidade.

Antes de sair da casa dos meus pais, quando faço minha “visita de médico” a eles, nunca esqueço de dizer “eu te amo” e “obrigada por tudo”. Abraço e beijo minhas irmãs e finalizo com um sinal da cruz em direção a casa quando dobro a esquina.

Também tenho me esforçado para tornar meu ambiente de trabalho mais fraterno. Costumo cumprimentar a todos quando chego, ou quem chega, ver se precisam de algo, parabenizar quando é necessário e trocar sorrisos durante a jornada pesada. Seja pessoalmente ou por msn, pois se carregar “uma cruz” sozinho é complicado, menos pesado se torna se temos alguém para compartilhar isso.

Na minha casa a limpeza anda dando o ar da graça. Deixo café pronto de manhã, sem louça na pia, sem roupas jogadas, sem lixo pra jogar fora. Quem for me visitar, terá um espaço confortável para se acomodar.

Não, eu não quero e nem sou santa. Apenas quero ser feliz, principalmente com aqueles que eu já entreguei meu coração.

Esses dias, quando desci do ônibus, reencontrei um amigo meu que há muito tempo não via. Ele tava chorando. Preocupada, abracei ele e não perguntei nada, ele, no entanto, quis falar:

— Meu casamento terminou e eu não sei porquê. Já tentei de tudo e ela não quer voltar. Já pensei até em me matar pra ela ir no meu velório.

Meu Deus. Aquelas palavras rasgaram o meu peito. O desespero era tanto, que ele queria saber como alguém que ele amava tanto reagiria ao saber da sua morte, ainda mais se pudesse deixar um sentimento de culpa nela.
Minhas primeiras palavras foram: perdoa. O perdão é o melhor remédio, pois ele vem do amor.

Se um dia, o acaso da morte me encontrar por aí, ou alguma pessoa que eu ame, não quero pendências. Não quero ficar sem dizer adeus, como o meu amigo pensou em fazer. Mas mesmo pensando assim, sei que não posso querer o mesmo dos outros. Normalmente julgamos, ou tomamos nossas conclusões sobre determinadas coisas de acordo com a forma como pensamos ou agiríamos em certas situações.

Há fatos na trajetória da minha vida dos quais eu não me orgulho nem um pouco. Entre eles, duas tentativas frustradas de suicídio. Ambas na adolescência. A primeira veio depois do meu pai descobrir um namoro meu que ele tanto proibia. Como eu sabia que ele ia me matar (pelo menos era o que eu fielmente acreditava na época), resolvi fazer isso eu mesma. Peguei a faca de cortar carne e mirei no pulso. A primeira fez “tchan”, passou longe. A segunda fez “tchun”, só um arranhãozinho do lado. Mas a terceira…tcharãrãrãããã…foi sangue pra todo lado. Por sorte, não chegou a pegar de fato as veias que poderiam ter me mandado dessa pra melhor, a única coisa que consegui foram duas marcas, hoje quase imperceptíveis no pulso esquerdo, e uma bronca ainda maior dos meus pais, que ficaram meses me monitorando.

A segunda vez foi triste, pois não foi uma atitude impensada, pelo contrário. Planejei durante dias. Eu tinha quebrado a perna durante o ano, fiquei quase dois meses sem sair de casa, perdi todos os campeonatos de vôlei do colégio, além do namoradinho que tinha na época. Parece pouco, mas para uma cabeça de apenas 15 anos ter a vida social cortada, levar um pé na bunda e ficar mancando e precisando de ajuda o tempo todo, isso faz muita diferença.

Foi de noite. Fui juntando remédios da gaveta, para ninguém suspeitar o sumiço inesperado. Ao todo, 60 comprimidos. Dorflex, paracetamol, neosaldina, remédio da pressão do meu pai, do coração da minha mãe. Teve de tudo. Tomei de três em três. Não lembro se chegou a ir todos, pois chegou um certo momento que tudo ficou escuro e eu adormeci. Pelo menos é essa a sensação que eu lembro.

Depois disso, acordei na cama de um hospital, com um tubo na boca. Não conseguia me mexer, nem raciocinar. Levei dias pra começar a falar. Isso sem falar na minha família. O olhar de tristeza do meu pai conseguiu fazer o que uma faca de carne e 60 comprimidos não fizeram comigo. Levei anos até recuperar o olhar e o sorriso de confiança da minha família em mim. Tudo porque, com a minha pouca idade e muita falta de noção, achei que a morte poderia resolver minhas angústias, minhas tristezas. Era egoísta. Pensava que o mundo girava a minha volta. De vez em quando eu ainda penso assim. Mas a ideia de me matar ficou no passado.

Hoje sigo meus dias como se fossem únicos. Quero melhorá-los cada vez mais, o que não quer dizer que eu vá acertar sempre. Eu me esforço, mas nem sempre as coisas saem como deveriam. Assim como a escrita. Quando escrevo um texto nem sempre consigo colocar nele o que o coração realmente gostaria de transcrever, ou mesmo quem ler vai interpretar da melhor maneira. Sei que não são com palavras mágicas que se arruma a casa.  Aqui eu desabafo e compartilho meus delírios, que muitas vezes é um remendo de coisas, noutras apenas frutos da minha imaginação.

…acabei pegando no sono!

 

by exquisioTeorias!

Há gestos que falam muito mais do que palavras. Sumir da vida de alguém, por exemplo. Não precisa correr atrás para saber o que aconteceu. A pessoa não quer mais saber de você e pronto. Caso contrário, ligaria, mandaria e-mail, uma mensagem pelo twiiter, qualquer coisa. Afinal de contas, os recursos hoje são tantos, que é dificil de encontrar uma desculpa para não falar com alguém.

O problema não é ignorar, mas não deixar isso claro. Ainda mais quando, antes de tudo começar, houve acordo. Acordo de dizer tudo que sentia, que precisava, que achava, o que era bom, o que não era, porque não se quer mais, enfim!

Para conseguir o que se quer, tudo vale. Mas tem certas pessoas que quando conseguem o que desejam, abrem a gaveta e guardam. Acho que devem pensar: quando eu tiver vontade, eu procuro.

Por que será que sempre uma das partes não cumpre o que foi estabelecido por dois? Uma resposta até me passa pela cabeça: MEDO! Mal sabem os medrosos o mal que fazem escondendo a verdade. Dificil escrever isso, pois já estive dos dois lados. Não posso julgar, não posso cobrar.

Há solução? Não sei. Mas fica a esperança. Esperança de esperar que a tristeza, de ter confiado em alguém que não cumpriu o que prometeu, passe e voltar a acreditar nas palavras de carinho dos outros novamente. Só que, dessa vez, sem pactos!

Quem mandou meus pais fazerem sexo, sem nenhuma prevenção, na primavera de 1979? Não deu outra. Dia 5 de junho de 1980 eu comecei a dar o ar da graça. “E que graça”, diz a minha mãe. Nasci loira dos olhos azuis, mas o tempo foi injusto comigo e me deixou castanha dos olhos verdes.

Mas voltando ao 5 de junho. A data do meu nascimento me tornou geminiana. Sempre combati a máxima que diz: dupla personalidade. Dupla nada. sou única, mas com diversas vontades e múltiplas escolhas. Posso dar risada alta de alegria, posso morrer chorando trancada no banheiro de tristeza, posso ser recatada e não olhar para os lados, posso ser atirada e abrir as pernas usando saia de propósito, posso ser santa e ir na missa todos os domingos, posso aprontar todas e dizer que não fiz nada, mas quem decide tudo isso sou eu, e apenas eu.

Sou muitas em uma. Essa é minha sina, ser na vida ângulo obtuso e ângulo reto, ser noite e dia, ser lua e sol.

Não me prendo. Nada me mantém por muito tempo. Sou completamente desapegada. Fui a única a sair da casa dos meus pais, meus amigos de infância são os amigos de hoje, paixões tive várias, amores ainda terei. Lamento uma despedida, mas sou feliz pela nova pessoa que chega. Minhas aflições são profundas, marcam, mas duram pouco tempo. Não paro por causa do que passou, mas perco muitas horas pensando no que virá.

Uma vez, um dos grandes amores da minha vida, queimou todas as recordações bonitas que eu tinha das minhas paixões. Dei risada por dentro ao ver a cena, pois as lembranças que estão dentro de mim ninguém poderá tirar.

As lembranças vem dos momentos. Momentos marcantes que insistem sempre em bater na minha porta para acontecer. Não adianta o coração estar sossegado. Um geminiano é assim, basta balançar um cordãozinho para os olhos crescerem que nem de gato e sair brincando por aí.

O que me move é a novidade. Tédio não tem chance comigo. Eu disse TÉDIO, não rotina. Amo rotina. Principalmente aquelas que me fazem bem, como a possibilidade de fazer sexo todos os dias com quem se ama, tocar violão, dançar ouvindo música alta em casa sozinha e deixar a bagunça de lado! Mas também quando é para por tudo em ordem, faço melhor que qualquer pessoa!

Por falar em bagunça, organização não é o meu forte. Se tiro algo do lugar, me distraio com outras coisas e me esqueço de devolver. Sou assim, distraída. Quando a mente começa a viajar, dificilmente volta.
Amores? ah, os amores. Vem e, dificilmente, vão. No entanto, se for para ir..tchau! Despedidas são tristes, mas esse tipo de tristeza logo é chutada por uma nova paixão. Posso ser definitiva. Posso ser sazonal!

Faço mil coisas ao mesmo tempo, pois tudo me chama a atenção. Por isso as coisas demoram! Mas se faço, faço bem feito e melhor do que os outros, pode acreditar!!!!

Comunicação é o meu segundo nome. Preciso me comunicar. Me jogava no chão para chamar a atenção quando era pequena, gritava correndo atrás dos outros na infância, andava para cima e pra baixo quando adolescente e hoje vivo conectada para mostrar que estou viva, então, por favor, falem comigo!!!!

Para completar, a melhor definição para quem vive as dores e delícias deste signo, vem de um trecho do texto escrito pelo Paulo Sant´Ana:

“Sou geminiano, então sou capaz de sofrer os maiores e mais atrozes infortúnios. Mas também sou candidato natural e favorito às mais especiais e supremas venturas. Ser geminiano é viver equilibrando-se (ou desequilibrando-se) nos extremos. Sou geminiano, ninguém como eu corteja diuturnamente a morte. Mas também ninguém como eu saboreia mais e valoriza tanto e tão devotadamente a vida.”

“Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive “. Bob Marley

Hoje passarei por uma pequena cirurgia. A correria e as desilusoes dos últimos meses deram resultado no meu corpo. Não tenho medo, mas estou ansiosa. A ansiedade foi tanta que vivi minha sexta-feira como se fosse a última. Sai cedo para ver minha mãe, trabalhei bastante, conversei com muitas pessoas no meu trabalho, ri com meus colegas no almoço, amei no fim da tarde, sai de braços dados com as minhas amigas de noite, voltei contemplando as estrelas e a conversa com uma amiga de madrugada e dormi como um anjo. 

No sábado, rezei muito. Rezei com as crianças, com os amigos, com os adultos. Entre essas orações surgiu o salmo 139. É aquele da famosa frase: Senhor, sei que tu me sondas. Senhor, sei que tu me conheces.

Ali encontrei o alívio, pois no meio daquelas palavras está escrito:

“Nem as trevas me encobrem de ti”. 

O cara sabe das coisas. Sei que tenho que reduzir a marcha da minha vida. Sei que tenho que correr menos e apreciar mais. E também sei que Deus, de uma forma ou de outra, quer me ajudar nisso. Por mais que eu me desvie, por mais que as minhas decisões não sejam as melhores, comigo ele está.

Teve um tempo que eu não gostava do crucifixo, pois via nele a morte. Até que um grande amigo, que sempre me faz ver o lado bom das coisas, disse: aquilo ali não é cristo morto, é ele de braços abertos pra ti! Aí me rendi e curto aquela imagem até hoje. 

Quando receber hoje o remedinho da felicidade, a famosa anestesia, quero navegar em águas mais profundas, e vou sem temor, pois sei que vale a pena achar o rumo certo e o meu lugar!

Para quem não tem objetivos, qualquer caminho serve…

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno”

Fuçando hoje no orkut, me deparei com a foto de alguém que não está mais aqui de corpo presente. Há mais ou menos dois anos, um atropelamento levou embora um grande amigo meu. Grande muito mais pela pessoa e pelo caráter do que pelo que vivemos juntos, que foi muito pouco.

Fiquei pensando na tristeza e na saudade que a família sente por ver ali, naquele espaço virtual, grande parte da vida dele registrada, mas sem ter ele por perto para compartilhar. São fotos, depoimentos e mensagens de amigos que nunca o esquecerão. Amigos que mesmo depois de tanto tempo ainda deixam mensagens de carinho e de saudade, mesmo sabendo que não receberão nenhuma resposta.

Da morte dele, fiquei sabendo dois dias depois pelo jornal. Pela primeira vez, uma matéria minha ganhava o abre da editoria e, qual não foi a minha surpresa, ao ver ao lado da página uma foto do Bruno. De cara pensei: ganhou um prêmio. Mas meu cérebro não queria processar as informações do título que insistiam em piscar diante dos meus olhos.

Ele tinha saído para andar de bicicleta. Não levou documentos, carteira, dinheiro, nada. Ele olhou para os dois lados para atravessar a Osvaldo Aranha, mas o motorista do táxi não olhou pra ele. Horas passaram e a família começou a ficar aflita, pois a noite chegou, o Bruno não.

A partir dali, um busca desesperada para saber do paradeiro dele começou. Ligações para amigos, parentes. Depois para delegacias, hospitais e, enfim, na madrugada, para o Instituto Médico Legal, que confirmou a chegada de um corpo com todas as características descritas.

Nem precisou a família dizer alguma coisa quando saiu de lá. Isso era madrugada de domingo. Ele foi enterrado de tarde. Eu soube na segunda de manhã.

Muitas coisas mudaram desde então. Não só para a família do Bruno, mas para todos os amigos que conviviam com ele. No velório, conheci o avô daquele menino. Nossa, era como se eu o visse com 60 anos. Me doeu ver aquele senhor, de suspensório, chorar como um bebê a partida repentina do neto.

Na formatura da turma dele, os pais foram homenageados, merecidamente. Fui para prestigiar uma colega, mas não passei dali, pois a sensação de saudade foi maior que qualquer coisa!

O título desse post é o resumo do perfil que ele mesmo escreveu no orkut. Queria ter feito mais. Ter dado mais risada com ele. Tê-lo abraçado mais. Ter dançado com ele na minha formatura, mas nada disso foi possível. O que me resta, é aproveitar cada dia mais os amigos que ficaram, dar a eles mais atenção, mais carinho, mais colo e não deixar de fazer algo que martela na minha cabeça até hoje, como disse uma amiga: “Queria ter aceitado o convite pra subir mais vezes”.

Patrick Swayze não resistiu. O homem que dançou em “Dirty Dance” como eu nunca vi um cueca dançar e que me fez sentir de vontade de me sujar de argila vendo “Ghost” perdeu a luta contra o câncer. Pessoas morrem, mas as lembranças não. Principalmente quando elas foram gravadas em longas metragens.

O que teve demais nos filmes gravados por ele? TUDO!!!

Não foi por causa da trilha de Ghost que a cena da argila ganhou fama, mas o ritmo dela com o envolvimento dos personagens. O barro foi mero figurante diante dos toques que o casal trocava, além dele não fazer a menor diferença na hora de amar. Sam simplesmente se juntou ao trabalho de sua Molly e se deixou modelar por ela. Em Dirty Dance também foi assim. Apesar de toda pose, Johnny se entregou ao jeito meigo e delicado da Baby, adaptando o seu corpo e o seu modo de dancar ao ritmo dela. Ou seja, o que os dois persongens de Patrick Swayze tiveram em comum nos dois filmes? A entrega do personagem a suas amadas.

É difícil se moldar de acordo com as esperanças e as expectativas do outro. Quando isso acontece é porque o amor falou mais alto!

Ainda hoje sonho em ser agarrada no ar como o Johnny pegou a Baby e a arrastou vagarosamente até os seus braços, claro, ao som de Time Of My Life, e sair correndo de mãos dadas como se algum paraíso estivesse esperando.

Para pensar…

...a gente só ama aquilo que conhece!!

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