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Queria tanto que minha mãe estivesse aqui. Ela não mora tão longe, mas a distância é o suficiente para que eu não a veja todos os dias. Somente ela sabe a pessoa que há dentro de mim. Uma pessoa que pode fazer besteira, errar, mas que acima disso quis acertar, fazer o melhor. Mas nem sempre dá certo!
A vida de adulta tem sido difícil. Contas para pagar. Salário nem tão alto para receber. Uma saúde (e essa tem me deixado na mão) para cuidar. Consertos em casa para resolver. Projetos para tocar. Trabalhos da pós-graduação para fazer. Catequese para dar. Enfim, ter que ser gente grande quando na verdade o que eu queria era brincar. Sair na rua e me esconder até alguém me achar. Correr até alguém me pegar. Jogar taco até perder a bola e, se não achar mais a bola, ficar riscando coisas no chão até anoitecer.
Mas nada disso agora pode acontecer. Tenho responsabilidades. Não que seja ruim, mas nem sempre é bom também. Não sei se é por causa dos 39 graus de febre ou por causa do pessoal do trabalho que não para de me ligar mesmo eu estando de ferias, mas o colo da minha mãe seria o céu pra mim agora. Ali tenho a sensação de que eu nunca cometi erros. De que tenho o direito de chorar como criança, pois sei que para ela eu nunca deixei de ser isso, uma criança.
Posso estar agindo como criança agora, mesmo com trinta e poucos anos, mas é assim que me sinto. Desprotegida. Frágil. Como se o mundo lá fora fosse me devorar. No entanto, como sou adulta, e não posso me esconder na barra da saia da Dona Fátima, tenho que sair e enfrentar. Deus me ajude, amém!
“Meu anjo da guarda, meu bom amiguinho! Me leve sempre para um bom caminho”!
OBS: A oração acima foi ensinada pela professora Margareth, da primeira série! Não custa nada rezá-la de vez em quando.


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