You are currently browsing the tag archive for the ‘casamento’ tag.
Sogra quando morre, enterra-se de bruços, se ela ressuscitar cava para baixo.
A *Ana e o *João namoram há mais de ano. Como todo casal, a Ana e o João discutem, brigam, separam, voltam, separam, voltam, separam, voltam…mas há algo maior que os une: a mãe do João.
Não. A mãe do João não é uma santa. A mãe do João quer o João só pra ela. A mãe do João o acha bom demais para qualquer mulher que não seja ela, consequentemente a sogra da Ana também. E é isso atrapalha o namoro dos dois, ou os une, pois a Ana e a mãe do João disputam o que apenas o João pode decidir para quem dar: a atenção dele.
A Ana nunca é suficientemente boa para o João, na opinião da mãe dele. Se a Ana o visita, ela o pressiona. Se ela não aparece por alguns dias, é desatenta. As opiniões das duas sempre diferem. Se a Ana gosta do João de camisa azul, a mãe dele já o prefere de preto. Se ele elogia a namorada, a mãe já vê a mesma qualidade, elevada na quinta potência, em qualquer outro ser.
Muitas vezes, nos encontro com as meninas, a Ana chega bufando:
- Que vontade de matar aqueeeeeeeeeeeeeeeeela….
E vomita em cima de nós tudo que esta revirando dentro dela.
A Ana tem medo da comida da mãe do João. Ela sempre tem a convicção de que aquele prato pode ser o último, por conter substâncias estranhas. Por isso ela nunca come quando os visita. Isso porque a Ana não lembrou daquele ditado: “Sogra só não coloca veneno na comida da nora, porque o filho pode experimentar primeiro”.
Ela então é esteriotipada de “aquela magrela que não come qualquer coisa”. “Como poderá o João casar com uma mulher assim”, pensa a mãe dele.
Mas a Ana pensa que um dia poderá dar o troco. A Ana quer vingança. A Ana não quer nem saber das consequências, ela quer ver o circo pegar fogo. Por isso, se tudo der certo, a Ana já tem um plano. Um plano maquiavélico. Um plano que mudará a vida dos três: dela, do João e da sogra.
A Ana pensa em casar com o João. Ele já pediu ela em casamento. A Ana já disse sim e subirá ao altar com ele. A mãe do João nem sonha com isso. Na verdade sonha, mas acorda assustada e quando vê que não passou de um sonho, ruim, volta a dormir!
E depois de tudo consumado, do sim ter sido dito, das promessas de alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza terem sido estabelecidas, ela dará sua cartada final. Carta não, bilhete.
Segundo ela, será em letras grandes e garrafais. Será deixado em cima da cama da mãe do João, na noite de núpcias, para que ela possa ler quando os dois já estiverem bem longe. Uma facada sem sangue. Um tiro sem disparo. Simples, curto e direto, estará escrito assim:
EU VENCI!
*Os nomes verídicos dos personagens foram preservados pelo bem da vida da Ana, minha amiga!
Casamento é como Woody Allen. Vale assistir, mesmo que seja pra dizer que não gostou. Não falta gente para me perguntar com espanto: TU É CASADAAAAAAAA??? Uns até mexem a cabeça lamentando: MAS TÃO NOVINHA!!!!!!
Casei porque quis. Na verdade, a decisão foi minha. Depois de cinco anos de namoro, não tinha mais para onde ir senão subir o altar e dizer sim. Caso contrário, era cada um para o seu lado. E aí estava o problema: QUE LADO?

Não era daquelas que sonhava em usar o vestido branco, entrar com a marcha nupcial e fazer festa depois. Pelo contrário. Mas cheguei aos 22 anos com apartamento comprado, bem empregada e com uma boa companhia. Pensei: por que não?
Todos casam por amor. Nem que seja por amor a si próprio. E só pode ser assim, porque só por respeito na riqueza e na pobreza ninguém mais entra na igreja. Rapazes são obrigados a jurar levar o lixo para fora, narrar os acontecimentos do dia, aprender massagem reflexológica e considerar as sete zonas erógenas de sua mulher. Por sua vez, as noivas prometem não encostar o pneu no cordão, não pendurar calcinhas na torneira, oferecer uma cerveja por mês, ser autodidata em linha do impedimento e não ver em qualquer de suas semelhantes uma potencial filial do marido.
Nunca fui prisioneira, mas também porque não deixei isso acontecer. Não falta oportunidade para o meu marido me dizer: POR MIM, TU USAVA BURCA!!! E ele não fala brincando. A união matrimonial, na minha opinião, serve para declarar a todos que ambos curtem estar na companhia um do outro, compartilham pasta de dente, conversas, aromas, atrasos de menstruação, livros, mau humores, lençóis, problemas, Chico Buarque e despertador.
Mas nem sempre tudo são flores. Dá vontade de arrumar as malas e sair correndo…sozinha. O que me faz ficar? O tempo que já passou, além do medo de magoar o outro. Desde os meus 13 anos eu não sei o que é ficar “solteira”. Na verdade, eu nunca soube, pois, até essa idade eu morava com meu pais. E sozinha é algo que eu odeio “estar”. Sempre amei dormir junto com alguém. Desde que me conheço por gente, fugia da minha cama para dormir com meus pais.
Outra: não sei dar beijo na boca e depois não olhar na cara da pessoa. Se beijo, é porque quero mais. Me assusta a possibilidade de sair livre por aí, entregar o coração para alguém e, simplesmente, o reencontrá-lo no lixo. Não peço fidelidade, mas lealdade. Uma coisa, pelo menos para essa calcinha aqui, é diferente da outra. Fidelidade está no corpo. Lealdade está na alma.
Esses dias estava vendo a novela das oito (sim, isso de vez em quando acontece) e estava no capítulo em que a personagem da linda da Maitê Proença se entregou a um romance com um traste. Ela é casada, então se viu prejudicada duas vezes: enganada pelo amante e descoberta pelo marido, a quem ela pôs a culpa de tudo. Na hora, concordei com ela. “Isso aí, a culpa é desse desnaturado que não te deu atenção”. Na mesma hora, meu marido se virou pra mim e disse: “Por acaso, o amante dela deu?”. Me quebrou as pernas!!!
Sigo casada, mas não sei se é para todo o sempre. “Sempre” é muito tempo, não posso garantir nem que estarei viva amanhã, imagina querer ficar ao lado de alguém. Sim, porque “amar” alguém e “ficar” ao lado de uma pessoa, também são coisas diferentes. Quando se ama, se dá atenção, se quer ficar coladinho, compartilhar tudo que é bom, respeitar os defeitos e não querer matar a pessoa por um simples prato quebrado ou uma roupa manchada na máquina de lavar. E todos sabemos que, na maioria dos casos, não é o que se vê por aí. Nem sempre o “outro” continua sendo simpático, agradável, cheiroso, depilado, dentro do peso desejado e sóbrio para entender que um “sim” não implica entregar a própria vida com uma maçã na boca. Há casos em que eu digo: PEÇO DIVÓRCIO POR JUSTA CAUSA. Que casos? Fazer a pessoa passar anos da vida esperando algo que nunca vai receber. Aí, é o fim!

Comentários