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Adoro os filmes que mexem comigo. Aqueles que me transportam para dentro da história e me dão a possibilidade de levar comigo quem eu quiser. Ontem foi assim.
Foi assim, só que diferente. Inconscientemente, eu mudei o enredo.
Na tradicional cena em que o cara vai embora de trem, e ela, ela que o esperou por 25 anos, ela que ansiava por uma conversa importante com ele e trancar a porta para que ninguém os interrompesse, ela que se indignava com as burradas dele, saiu correndo atrás na esperança de que o idiota desistisse da ideia e ficasse, ou a levasse junto…essa cena, logo essa cena, não significou nada pra mim.
E foi aí que eu percebi algumas mudanças nesse 1,61 metro de corpo e coração.
Como assim eu não chorei? Como assim eu não me imaginei no lugar dela, correndo atrás daquele que eu não queria perder? Como assim? Como assim?
Foi quando me dei por conta que há exatamente um ano, eu lutava contra uma situação que insistia em acontecer. Uma situação que me deixou prisioneira por quase dois anos. Uma situação na qual eu sonhava uma coisa, mas a realidade era bem diferente, e dolorida.
Foi de noite. Eu ainda tinha esperança. Eu ainda tinha lágrimas. Eu ainda tinha amor pra dar, vontade de continuar, e loucura suficiente pra perdoar tudo o que tinha acontecido (de certa forma por não ver quantas opções de caminhos incríveis tinham a minha volta).
A frase: eu não aguento mais te ver triste por mim, fez com que as minhas lágrimas secassem ali. Que meu coração parasse de bombar sangue por alguns segundos, que o ar deixasse de existir, e que simplesmente eu me quebrasse toda, sem perceber que não tinha ninguém pra juntar o que se espalhou pelo chão.
O tempo e o vento, parodiando Erico Verissimo, fez a sua tarefa. Juntou o que sobrou de mim e colou tudo de volta, mas diferente.
Coração no lugar da cabeça. Cabeça no lugar do coração.
Não gosto do passado. Ele sempre tem cara feia, por mais que não tenha cicatrizes. Sempre tive medo de não ter um futuro, ou de não vê-lo passar. Por isso, aprendi naquele dia que o presente não tem esse nome por acaso. É UM PRESENTE. E devemos comemorá-lo como tal. Sem expectativas. Sem projeções. Apenas dar tudo de si para viver o instante de agora como se fosse único.
O Segredo dos seus Olhos me mostrou como várias vidas podem parar no tempo a espera de algo que pode levar anos. O rapaz que perdeu a mulher, deixou em cativeiro perpétuo o assassino confesso da amada. Eu mudaria o final, ou melhor, eu mudei. Não carrego mais os vilões comigo. Os deixo livres, para que vejam por si mesmos que brincar com o coração alheio é transformar o próprio coração em algo insignificante para o resto do corpo.
Patrick Swayze não resistiu. O homem que dançou em “Dirty Dance” como eu nunca vi um cueca dançar e que me fez sentir de vontade de me sujar de argila vendo “Ghost” perdeu a luta contra o câncer. Pessoas morrem, mas as lembranças não. Principalmente quando elas foram gravadas em longas metragens.
O que teve demais nos filmes gravados por ele? TUDO!!!
Não foi por causa da trilha de Ghost que a cena da argila ganhou fama, mas o ritmo dela com o envolvimento dos personagens. O barro foi mero figurante diante dos toques que o casal trocava, além dele não fazer a menor diferença na hora de amar. Sam simplesmente se juntou ao trabalho de sua Molly e se deixou modelar por ela. Em Dirty Dance também foi assim. Apesar de toda pose, Johnny se entregou ao jeito meigo e delicado da Baby, adaptando o seu corpo e o seu modo de dancar ao ritmo dela. Ou seja, o que os dois persongens de Patrick Swayze tiveram em comum nos dois filmes? A entrega do personagem a suas amadas.
É difícil se moldar de acordo com as esperanças e as expectativas do outro. Quando isso acontece é porque o amor falou mais alto!
Ainda hoje sonho em ser agarrada no ar como o Johnny pegou a Baby e a arrastou vagarosamente até os seus braços, claro, ao som de Time Of My Life, e sair correndo de mãos dadas como se algum paraíso estivesse esperando.

Todos aqueles que cresceram tendo a TV como babá eletrônica e assistiram a filmes como Curtindo a Vida Adoidado, Mulher Nota 1000, Clube dos Cinco e A Garota de Rosa Shocking acordaram um pouco mais tristes e envelhecidos na manhã do dia 7 de agosto, depois de assimilar o baque da morte inesperada de John Hughes, diretor e roterista de clássicos da Tela Quente e da Sessão da Tarde.
Como diria a minha colega Cintia Barlem, eu também dançava na frente da TV quando chegava essa parte do filme (no vídeo abaixo) do protagonista “Ferris Bueller”. Apesar de me identificar muito mais com o colega que prefere ficar na cama, achando que esta doente o tempo todo, me imaginava aprontando todas no meu colégio para curtir um dia fora da clausura ao lado de um amigo!
Mas que às vezes dá vontade de fazer isso para matar o dia de trabalho, ah dá!

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