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O dia está acabando e o único Feliz Dia das Mulheres que recebi foi de uma outra fêmea que estava com uma cara mal dormida e mal sabia do que estava falando.
Lembro desse dia quando era pequena. Meu pai sempre chegava com uma rosa para a minha mãe. Achava lindo, pois admiro quem sabe mesmo nestas pequenas datas reconhecer alguém pela dedicação de todos os dias.
E eu vivo de temperos e arrepios, da densidade de invocar vícios a fim curá-los com atos exagerados quando começam a dar sinais de caso perdido. Esse dia plenamente feminino não teria a menor razão se um bom homem não existisse.
Nada de comportado. Nada de certinho. Gosto dos homens de verdade. Aqueles que olham uma playboy, mas sabem que no fundo tudo não passa de photoshop. Que se divertem com os amigos, mas voltam como cordeirinhos para as suas amadas. Dos que jogam futebol e muitas vezes o colocam como prioridade em sua vida, pelo menos até o campeonato acabar. Dos que não ficam grudados o tempo todo, mas quando grudam deixam saudade.
O amor tranquilo tem reconhecido valor, mas procura os iguais. Só o ódio é capaz de unir diferentes. Não fosse ele, eu ainda estaria presa na realidade de amores políticos, me procurando dentro do apartamento enquanto suplico um cara excêntrico pelas ruas.
Que Dia das Mulheres que nada. Hoje é o dia deles. Daqueles que vão correr atrás para dar o prazer que uma mulher jamais sentiu. Daqueles que vão esquecer a data, brigar em casa, mas voltar com um presente no outro dia. Daqueles que mesmo sem uma mulher, vão sair com os amigos, mas se derreter quando um belo par de pernas passar.
Eu sei que a distância que separa um Martin Luther King, um Paulo Coelho, um Steve Jobs, um Chico Mendes, um John Lennon dos outros seis bilhões de pessoas é vasta. Contudo, pode ser resumida em uma palavra: atrevimento. O mundo pertence a quem se atreve, a quem ama alguma coisa, a quem habita dentro do velho moço, a quem não perdeu o costume de matar as aulas inúteis.
Apesar de toda essa crença, eu sei que hoje as rosas vão passar longe das minhas mãos.

Para a sorte dos homens, as mulheres não são autossuficientes.
Existe sempre um pote para ser aberto, uma barata para ser morta. Por essas e outras, cheios de si, eles começaram a nos chamar de sexo frágil. E a coisa pegou.
Sim, somos mais emotivas. Costumamos chorar, espernear, depois pedir desculpa e culpar os hormônios. Mas isso não significa que somos frágeis. Significa apenas que somos mulheres.
Agora, tô pra ver machão encarar as coisas que as mulheres encaram. Pense em depilar-se com cera quente. Isso inclui cera quente em partes íntimas. Pior, amigos: pagar por isso. E caro! Arrepiou? Isso é o de menos.
Quem quiser criar a floresta amazônica ou usar Gillette que fique à vontade. Cera quente é opcional (Dói, mas o resultado vale a pena!).
Agora imagine, uma vez por mês, sentir dores terríveis e não poder fazer nada além de tomar um buscopan e rezar por misericórdia. Calma.. a dor é só um anúncio do que virá: sangue, muito sangue! Quem sangra uma semana, todo santo mês, não pode ser o sexo frágil. Podemos ter menos força física, mas somos mais inteligentes. E claro, vivemos mais!
Então o próximo que fizer gracinha sobre a minha fragilidade.. deixe estar. Quem ri por último, ri melhor.

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