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Como é bom desbravar caminhos com os cinco sentidos que Deus nos deu. Visão, audição, olfato, tato e paladar se transformam em olhares, gemidos, cheiro, toque e gosto. Principalmente quando percurso é de carne, osso, pêlos e arrepios.
A estrada não é reta. É cheia de curvas que se movimentam pra lá e pra cá. Isso exige do condutor atenção em dobro nas mãos e língua que deslizam a superfície de alguém, tentando descobrir o que só esse alguém sabe: seu maior ponto de prazer.
Os dedinhos dão a largada. O melhor trajeto é pegar pelos cabelos, descer pelo pescoço, passar vagarosamente pelas costas, e se fazer um pit stop na maior preferência brasileira: a bunda! Mas o tempo é curto e a viagem é longa, então é melhor só dizer um oi e continuar cantando pneus entre as coxas, dar uma passadinha nas panturrilhas e retornar correndo para onde se quer ficar, onde não há erro de se perder e a felicidade é garantida.
Óbvio que se pode cortar caminho e ir direto, mas se a chave da felicidade fosse essa, o buraco da fechadura não seria tão embaixo.

Enquanto ela beija sua bochecha macia, ele fecha os olhos. Ao abri-los, procura pela boca dela, que foge. Os dedos finos que se arrastam entre os fios grossos de seus cabelos agradam. A cada movimento das mãos, ele inclina a cabeça mais para trás e o corpo mais para frente em busca do dela.
Ao se esquivar, chegando às costas, ela sente ambas as respirações se acelerarem, mas se controla para que a tentação do prazer não vença o esforço do afeto. Mas tão logo os lábios, línguas e salivas se encontram, todos os movimentos se tornam um só, simultâneos. Ao simples toque, a pele ganha aderência. O suor que reluz nos corpos também é responsável pelo odor que impregna o ar, aumentando o apetite de ambos. O arfar dela dita o ritmo da ação. E as poucas palavras sussurradas catalisam o ímpeto dele, que só cresce, cresce e cresce.
A temperatura dos corpos começa a voltar ao normal. Ela levanta em busca de um lençol ou algo que a cubra; ele se dirige à lixeira mais próxima e retorna ainda ofegante. Apenas os braços se entrelaçam. Ela pensa em pedir água; ele em se oferecer para buscar. Nada. A garganta seca. As pálpebras fecham. Ambos dormem no mesmo silêncio de outrora, cada qual com a cabeça num travesseiro.

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